Depois de uma reunião bastante produtiva pela manhã, daquelas que a gente gasta energia física para os neurônios funcionarem melhor me permiti almoçar no restaurante de minha preferência especializado em comida japonesa.
Sozinha, entrei na casa já sem nenhuma neura de "O que será que estão pensando de mim ali sozinha enquanto todas as mesas estão com ao menos três pessoas?" (Esse tipo de sentimento já fez parte de mim). De cara encontrei um grande colega de trabalho da época de senado, um senhor mais velho, bastante querido, ex secretário de Estado que já me ajudara bastante em todos os aspectos de minha vida, inclusive no lado pessoal - crises de TPM.
Muito educado, me convidou para sentar em sua mesa, ele aguardava a família que de vez em quando até via pelos corredores do congresso, mas nunca parei para conversar com nenhum deles. De imediato, agradeci e recusei o convite mas logo todos chegaram e ficou bastante desconfortável eu não aceitar. Fico me perguntando, porque aceitei? Maldita hora!
Bom, no meu dia a dia algumas pessoas me chamam de Daniela, Dani, outros de Dahram. Tem aqueles ainda que ficam em cima do muro, não sabem se me chamam disso ou daquilo e inventam apelidos estranhos como Dah, Dáam, Dáram, enfim...
Já na minha posição de "Estou desconfortável, me tirem daqui, que venha um teletransportador e me deixe no meu quarto, debaixo da cama" meu querido colega me apresenta para sua família bastante amorosa.
- Gente, esta é minha grande amiga de senado, trabalhadora, estudada e que agora é DJ. O nome dela é Deborah.
Ah??? D-E-B-O-R-A-H?? Meu nome não é Deborah, socoooooooooorro! Ele havia me apresentado de forma elegante, todos estavam de pé, sorrindo pra mim. Sua esposa já de imediato inclinou seu corpo e disse - "Prazer Deborah, seja bem vinda aqui conosco". Todos me cumprimentaram e eu fiquei com aquela cara de tacho.
Pensei, sei que iria ficar uma situação um tanto quanto desconfortável contrariar aquele respeitado ex secretário mediante sua família. Me apresentou como se entrega um prêmio de Oscar daquele jeito. "The Oscar goes toooo, DEBORAHHHHH" tarararararara e vem aquele aplauso.
Sentamos à mesa e eu fiquei pensando em como iria desfazer aquela situação duplamente desagradável. Deixei quieto, pensei em nossos encontros que ocorrem normalmente de três em três anos ao acaso.
- A Deborah é um exemplo, minha filha, ela é jornalista, foi assessora de imprensa, apresentadora e agora é DJ. Ela ganhou até um concurso na TV, disse o ex secretário.
- Nossa pai, uma vez eu vi na TV um concurso de DJ na TV mas era com os famosos da Globo.
Ufa, ela viu apenas a edição que não estava.
- E me conta, DEBORAHHH, como é essa vida de DJ? Perguntou a esposa.
Que situação!!!!!!!!!!
Contei das minhas experiências e casos que vivi mas sem muitos detalhes.
Sei que no final da conversa eu já havia me tornado DEBY, a DJ DEBY.
O pior é que pegaram meu número de telefone, mas com certeza vão achar que anotaram errado, se Deus quiser!!
Meu nome não é DEBORAHHHH